domingo, 14 de abril de 2013

Motivação e Diabetes

Você que controla o diabetes, seu ou de algum familiar, sabe sobre o que vou falar. Daqueles dias em que tudo o que menos queremos saber, ouvir ou lembrar é do diabetes. Do cuidado que ele exige. Do quanto da nossa atenção ele suga. De quanto tempo nos envolvemos com seus pormenores. De quantos pensamentos por dia temos a respeito dele. E não me venha falar que você está no piloto automático, que nem sente mais, que não se importa. Ok, eu também tenho dias assim, de agir como se nada demais estivesse acontecendo. Mas não é sobre isso que quero falar hoje.
O que quero desabafar é sobre os dias em que, sair da mesa para buscar um pote novo de tiras, pois o do estojo está vazio, me cansa. De quando quero comer despreocupadamente, sem precisar contar carboidratos. Ou, então, quando levanto na madrugada para espiar se minha filha dorme bem, e, sem querer acordá-la, verifico sua respiração, se está suando, se precisa medir a glicemia. Ou quando tenho que analisar no supermercado se as informações nutricionais de um produto são melhores ou piores que outro. Ahhh!! Agora você me entendeu?!
Bem vindo ao clube! – e um clube bem grande. Pois é, esses dias não são privilégio só seu. Eles acontecem com todas as pessoas que (con)vivem com o diabetes. São cíclicos, mas não são constantes. São intensos, rápidos, longos, leves. São variados. Mas, antes de tudo são muito pessoais. Cada pessoa sente de um jeito. E o que consola um, talvez não console o outro. Por isso, cada um deve encontrar a melhor forma de superar esses momentos. Penso que um bom caminho seja viver essa fase. Deixar que a raiva, o medo, a indignação e as preocupações se façam conhecidas. Talvez assim fique mais fácil encontrar soluções. Se eu não conheço meus pontos fracos, minhas dificuldades, como farei para melhorá-las, para superá-las? Como fazer os outros compreenderem o que sinto, se nem eu admito para mim o que estou sentindo?
Se você está cansado e estressado com o diabetes, primeiro saiba que você não está sozinho. Isso é muito comum. Acontece comigo, com você e muitas outras pessoas com diabetes. Segundo, você não é uma pessoa pior, por se sentir assim, e nem é irresponsável com a sua saúde. São exigências diárias, preocupações e, por vezes, desapontamentos pessoais, que nos fazem sentir desânimo e irritação. E, por último, saiba que sua situação está longe da catástrofe, existe solução.
O estresse do diabetes pode ser superado. Busque ajuda, compartilhe suas dúvidas e dificuldades. Existem muitas pessoas dispostas a trocar informações, muitos grupos de bate-papo nas redes sociais, muitos blogs que falam do assunto, e são um ótimo meio de aproximação e ajuda. Procure na sua cidade grupos de apoio, associações, entidades e eventos para pessoas com diabetes. Permita-se fazer um acompanhamento emocional. Ou, simplesmente, fazer algo que não tenha nada a ver com o diabetes: dança, pintura, fotografia, música, poesia, artesanato, costura…
Enfim, a maior lição para estar motivado é saber que o estresse por viver com diabetes é normal, comum e pode ser sempre superado (mesmo que ele retorne). Com atenção, cuidado, sensibilidade e humor podemos vencer o cansaço e fazer as pazes com o diabetes. Claro, isso não quer dizer que nós e o diabetes seremos melhores amigos a vida toda. Mas que aprenderemos a viver de maneira que nos ajude a ter não só qualidade de vida, mas também quantidade.
Boa semana!

9 comentários:

  1. EXATAMENTE ISSO!!! EU, mãe de uma docinha (de quase 4 anos, é DM1 há 1ano e meio) cheguei a sair de TODOS os grupos sobre diabetes por uns 3 meses... pois era entrar na internet que EU só sabia ver, ler, escutar DIABETES, DIABETES, DIABETES, DIABETES. tem hora que bate sim, aquele desânimo... aquela deprê...aquela saudade de não ter sachês de açucar dentro da sua bolsa atraindo formiguinhas, sair livre leve e solto despreocupados... não... não podemos sair sem o kit de sobrevivência. Sou bem resolvida com o DM1, mas tem hora que CANSA SIM. "HOJE" me sinto limitada sim! Sinto falta de trabalhar fora e ter minha própria fonte de renda, pra ajudar no orçamento da casa (que depois da dm1 nos descontrolou muito) e poder fazer aquelas comprinhas que toda "mulher e mãe" gostam de fazer pra si e pra seus filhos. As vezes penso em voltar a estudar fazer faculdade... PRECISO fazer auto-escola urgente... mas "HOJE", neste momento da minha vida isso não é possível. Moro em outro estado, TODOS meus familiares estão longe, não tenho ajuda, apoio, socorro de ninguém... não posso ir ali, sem ter que carregar meus filhos, até aí tudo bem (muitas mães tbm passam por isso) mas não posso nem descer pro Play com meus filhos sem uma mochilinha com o KIT DM1+ lanchinho, fruta, açucar). Como já disse: SOU BEM RESOLVIDA COM O DM1, MAS TEM HORA QUE CANSA!!! Infelizmente, NÓS MÃES PÂNCREAS, além das obrigações corriqueiras da vida de ser mulher, mãe, filha, profissional, donas de casa, ainda temos uma carga a mais (carga que com o passar dos dias se torna pesada, já que na maioria das vezes esse cuidado se resume somente "às mães" o restante da família NÃO PARTICIPA ATIVAMENTE dessa carga ou por morar longe, que é meu caso, mas mesmo os que estão perto, inclusive MUITO perto como o caso dos PAIS (figura masculina) não participam, não se interessam em saber, conhecer, aprender sobre o dm1 como NÓS MÃES. SIM, TEM MOMENTOS QUE DÁ VONTADE DE GRITAR! DE SUMIR! sou mulher, sou mãe, sou de carne, osso e coração. NÃO, eu não sou de ferro, mesmo que em muitas situações o pareça ser... E assim se passam os dias, tem dias bons, dias mais ou menos, dias ruins, dias péssimos, dias exaustivos... como qualquer outra pessoa... mas nós não somos qualquer pessoa, não... vivemos na EXPECTATIVA DIÁRIA DE OLHAR AQUELE VISOR E AGUARDAR OS 5 SEGUNDOS, esperando um valor glicêmico bom...Ah! daí vc diz: já tô acostumada com isso...com essa rotina... Mas vem cá, vai dizer que vc não fica na expectativa de ver uma boa glicemia??? e as madrugadas??? vixi... já falei de mais... melhor deixar as madrugadas pra lá.. É ISSO!!! não sou de ferro, não esperem que eu seja aquilo que VOCÊ não é e NUNCA será! EU tenho falhas, defeitos, as vezes falo o que não devo e ouço o que não quero (como qualquer pessoa), também sinto dor, tenho TPM, me estresso, fico deprimida, angustiada. ME RESERVO AO DIREITO DE SER apenas uma "ser humana" eu NÃO SOU ROBÔ. Sou feita de carne, osso, coração... emoção... tenho sentimentos, e eu choro qdo me dá vontade. EU tenho SIM, muita RAIVA da dm1 qdo estou exausta, com sono, querendo (PRECISANDO) dormir (além da dm1 de quese 4 anos, tenho 1 bebê de 1 aninho... pensa na carga extra de tarefas, deveres, deveres e deveres...) Tenho raiva de quando estou doente, com a cabeça explodindo, quase não enxergando a gota de sangue no dedinho, E NÃO POSSO DEITAR, DESCANSAR, DORMIR... Tenho raiva da dm1, quando ela me mostra um valor glicêmico altíssimo, mesmo com tantos cuidados, atenção e disciplina. Acho que apesar de tudo, sou uma pessoa normal e me reservo ao direito de sentir raiva, angustia, tristeza, saudades dos tempos SEM dm1. Isso faz parte da minha vida, das nossas vidas, não dá pra ignorar. SER FORTE É NECESSÁRIO, mas ter momentos ruins faz parte!

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    1. Puxa, seu desabafo me comoveu. Eu sou Fabiana, diabetica ha 20 anos e diagnosticada aos 12. Eu aprecio sua sinceridade e desabafo, tenho certeza que a diabetes eh um fardo grande para ser levado e tentar buscar o equilibrio tem seus altos e baixos. Imagino que para a mae que tem uma vida de multiplas responsabilidades a diabetes eh dificil, doloroso e consome muito, mas se ha algo que posso dizer eh, por mais dificil que pareca equilibrar o cuidado com sua filha e seu filhinho pequeno, e auto-cuidado, tire um tempinho para o auto-cuidado, nem que seja meia horinha por dia para fazer algo por voce, um carinho para vc, voce tambem precisa, assim estara mais forte para sua filha tambem. Boa sorte um abraco grande Fabiana

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  2. Olá, boa tarde!

    Trabalho com a Sanofi, do projeto “Diabetes. Nós cuidamos” e gostaria de enviar notícias interessantes sobre o assunto para vocês.

    Para qual e-mail posso encaminhar?

    Muito obrigada,
    Vanessa Gonzalez
    vanessa.gonzalez@havasww.com

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  3. Olá Vanessa

    Gostaria de dizer que te entendo, pois não é fácil ver uma filha com diabetes. Sou diabético tipo 2 há sete anos e tenho um excelente controle, mas não é a mesma coisa de ter um filho diabético. nós pais preferimos sofrer do que ver os nossos filhos passarem por um problema; principalmente se for na área da saúde.
    admiro muito as mães guerreiras como você, que mesmo se achando frágeis, certamente adquirem uma força extraordinária e se superam para cuidar dos filhos.
    desejo a vocês muita força e Deus lhes abençoe

    Paulo Alves

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  4. gostaria de saber se o blog possui algum tipo de email para informaçoes de post antigos. minha filha e tipo 1a aproximadamente 2 meses e parei de trabalhar para ajuda-la alguma dica de trabalhos em residencia. meu e-mail cristiano_med@me.com

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  5. Olá,

    Sou jornalista e estou fazendo uma pesquisa com pacientes de diabetes e familiares.

    Envio para vocês o link e peço para se possível compartilharem.

    goo.gl/59KJU

    Obrigada!

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  6. Aposentadoria para Diabéticos e Deficientes
    TODOS JUNTOS, PELA APROVAÇÃO DA APOSENTADORIA ESPECIAL PARA AS PESSOAS DIABÉTICAS E COM DEFICIÊNCIA muitas pessoas morrendo por conta do diabetes e muitas não tem condições de trabalhar como qualquer pessoa normal, por isso a Aposentadoria Especial é muito importante.
    Assine a Petição e vamos mudar essa situação degradante na vida de muitas pessoas que precisam realmente dessa aposentadoria.
    http://www.avaaz.org/po/petition/Aposentadoria_para_Diabeticos_e_Deficientes/?copy
    COPIE O LINK E COLE NO SEU NAVEGADOR PARA ASSINAR A PETIÇÃO ONLINE

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  7. Oi Família Vollbrecht!
    Conheci esta moça, Luciane, que faz doces MARAVILHOSOS com sucralose e sem gordura vegetal! Experimentei e gostei...lembrei de compartilhar com vocês! Bom findi! Bjos a todos!

    http://dietdelicia.blogspot.com.br/

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  8. Muito bom ouvir desabafos. Em vários momentos vc descreveu exatamente como se sente um diabético Tipo I. Tenho a doença há 22 anos e já passei por várias fases e várias etapas até chegar à aceitação do problema. Mas não é fácil, não é fácil fingir todos os dias que sou normal, acordar com a glicose 33 a ainda ter que trabalhar o dia todo. Mas foi bom ver que não sou a única.

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