domingo, 22 de julho de 2012

Dedos de flautista



Dedos
Dedos marcados
Por vezes pintados de vermelho
Diariamente tocados
Mas que também nos tocam
Tocam piano
Tocam flauta...

Até na orquestra do colégio

video


Abraço e boa semana
Ricardo

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sinfonia diária

Mais um almoço, já sentados à mesa, alguém lembra:
- E o testezinho? (é assim que, a nosso modo, chamamos o glicosímetro).
Buscamos então, pela enésima vez, o estojo com o medidor de glicemia.



Começa então a nossa sinfonia diária:
ZIIIIIP – É aberto o ziper do estojo e retira-se o porta tiras-teste e o lancetador (o furador de dedos);
PLOC – Destampa-se o porta tiras, para então colocar uma no aparelho;
PLEC – É tampado o porta tiras
PII – O glicosímetro liga, automaticamente, com a inserção da tira-teste no aparelho;
CLA-CLAC – O lancetador é armado para furar o dedo;
PLÁ – fura-se o dedo e, se o sangue for suficiente, a tira-teste é encostada para colher a amostra;
PI PIII – O medidor de glicemia anuncia o resultado;
ZIIIIIP – depois de guardar tudo no estojo, o ziper é fechado de novo.

Destes sons, o mais sonoro, é o da tampa do porta tiras-teste: PLOC ao abrir – PLEC ao fechar. Muitas vezes, tentei abafá-lo. Mas não tem jeito, na próxima refeição, tudo se repete mais uma vez:

ZIIIIIP
 PLOC
  PLEC
   PII
    CLA-CLAC
     PLÁ
      PI PIII
       ZIIIIIP

Abraço e bom final de semana
Ricardo

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A primeira professora Tipo 1 a gente não esquece!


Esse ano a Catarina resolveu voltar a estudar inglês. O que nos deixou muito felizes. Isso porque, quando nos mudamos do interior para Porto Alegre, ela parou de fazer inglês. É difícil para uma criança a tarefa de mudar de casa, cidade, escola. Por isso o inglês foi deixado em segundo plano por um tempo. Mas como tudo tem seu momento, este ano ela decidiu voltar a estudar essa língua fantástica que é o inglês.

Passados uns dois meses de aula, a Catarina chega em casa e nos conta que a professora do inglês era diabética Tipo 1, como ela.

Pensei na hora: “Puxa, precisamos conhecer melhor essa professora!”

Em dois anos e meio de diagnóstico tivemos um ou dois encontros com outros diabéticos tipo 1. Pode parecer estranho para algumas pessoas, mas compartilhar experiências com iguais é uma parcela bem significativa do tratamento.

Fui até a escola e marquei um dia para conversar com a “teacher” Marta.

A Marta foi diagnostica aos 26 anos, em 2004. Na época, recém-formada em fisioterapia, ela não sabia nada de diabetes tipo 1. Lembra que na faculdade teve uma visão bem generalista do diabetes, com ênfase no tipo 2.

Percebeu que perdia peso e tinha muita sede, mas teve a confirmação numa consulta de rotina com o ginecologista, que solicitou exames de sangue. Glicemia de jejum 295. Com esse resultado o médico já a encaminhou para um endocrinologista. Na confirmação do diagnóstico, com um novo exame, o endócrino já lhe indicou que ficasse internada no hospital para aprender como se cuidar dali pra frente. Medir glicemia, aplicar insulina, dieta nova, enfim todos os cuidados necessários para um bom controle.

No início foi um susto, assim como para todos recém-diagnosticados. Marta relata que no começo precisou de psicoterapia para entender e aceitar o que estava acontecendo.

Hoje ela faz contagem de carboidratos, com acompanhamento de nutricionista, o que lhe dá mais liberdade. Mas no começo a dieta era mais restrita, com doses certas de comida e quantidade de insulina correspondente. Marta adora chocolate, e está sempre atrás de novidades. Aliás, ela me deu uma dica de uma farmácia com um cantinho de produtos dietéticos. Por isso eu penso em como é bom conhecer e compartilhar com outras pessoas e famílias que convivem com o diabetes tipo 1. Sempre aprendemos algo novo.

Conversamos sobre como é difícil encontrar outro diabético Tipo 1. Lhe disse que a Catarina, em dois anos e meio de diagnóstico, só conheceu uma menina na escola dela, mas que foi um único encontro e mais nada. Na opinião de Marta, as pessoas não se expõem muito, ficam receosas de comentarem que são diabéticas. Para ela isso não é problema, ao contrário, como é professora já vai avisando colegas e alunos, que em caso de uma hipoglicemia, ela vai precisar parar por uns instantes, comer alguma coisa, e recuperar o fôlego.

Ela recebe seus insumos pelo governo. Apesar da burocracia, diz que vale a pena.

Marta deixou de lado a fisioterapia e hoje é professora de inglês. É casada e planeja ter filhos.

Enfim, foi muito legal conhecê-la. Esse semestre de inglês foi muito marcante e doce para toda a família!

Obrigada, Marta!


domingo, 1 de julho de 2012

Luz na escuridão



No cinema, na metade do filme, surge o alerta de uma hipoglicemia:
- Mãe, tô com fome!
Enquanto a Catarina come um chocolate – levado por precaução para combater uma sempre possível baixa na glicose – é tirado da bolsa o novo glicosímetro comprado há alguns dias: um FreeStyle Lite, da Abbott. Ainda pensando como faria para ver, na penumbra da sala de cinema, a gota de sangue na ponta do dedo de nossa filha, a Simone coloca a tira-teste no aparelho, quando então, para nossa agradável surpresa, surge uma luz no escuro, uma iluminação vinda do próprio glicosímetro, na guia onde se insere a tira-teste. Assim, mesmo no escurinho do cinema, com a pequena luz do aparelho, foi possível ver e coletar a amostra de sangue, que com este glicosímetro é a menor de todas (0,3 microlitros de sangue).

Vemos, desse modo, melhorar mais um pouquinho nossa qualidade de vida. Desde o diagnóstico da Catarina, as agulhas das canetas de insulina diminuíram 1 mm. Agora, é o glicosímetro que apresenta evolução, reduzindo a quantidade de sangue necessária para a medição, além de iluminar a tira-teste. Antes disso, nos últimos anos, as mudanças têm sido continuas e muito mais significativas. Mudanças, por vezes pequenas mudanças, mas ainda assim para melhor, que nos enchem de esperança no futuro.

E é bom notar que esta evolução no tratamento do diabetes é fruto do trabalho de pessoas, indivíduos empreendedores, pesquisadores e outros colaboradores, que reunidos em empresas privadas e impulsionados pela livre concorrência, chegam a produtos melhores. Não foi governo, nação ou estado, nem foram ONG´s. Foram empresas que trouxeram e continuam trazendo avanços tecnológicos para os diabéticos e suas famílias. 

Acreditamos em um contínuo aprimoramento da qualidade de vida dos insulino-dependentes, fruto, principalmente, da velha e saudável liberdade econômica, capaz de gerar verdadeira e real luz na escuridão.